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História do Omoloko Um dos objetivos deste site
é tentar construir, contando com a ajuda dos visitantes interessados, a
história do Omoloko. Por isso, pedimos a colaboração
de todos os praticantes e simpatizantes desta religião, bem como de pessoas que
identifiquem nos personagens citados antepassados ou conhecidos seus, e ainda
de estudiosos e pesquisadores, para que nos visitem e deixem-nos suas
contribuições, que serão de grande valia, pois, na medida do possível, serão
agregadas à nossa história. Desde já agradecemos e nos dispomos para qualquer
contato Introdução Segundo nosso entendimento, o Omoloko
começou a existir como uma das variantes de religião afro-brasileira que passou
a ser praticada no Brasil a partir de algum tempo no passado, depois da chegada
dos escravos negros. Provavelmente de maneira precária no início, pela falta de
liberdade dos escravos para qualquer tipo de organização, mas, com o decorrer
do tempo e com as leis que foram aos poucos mudando as condições de vida dessas
pessoas, de maneira mais organizada e completa – e o Omoloko,
nesse particular, em nada difere das outras variantes religiosas afro-brasileiras.
O que o torna particular é que ele se estruturou inteiramente no Brasil, tendo
influência de diversos rituais religiosos africanos, principalmente os dos
povos que vieram de regiões que hoje são o Congo, Angola, Moçambique, Nigéria,
Benin, Camarões – e, portanto, diferente dos Candomblés, por
exemplo os de origem Yoruba, que ainda hoje
guardam forte predominância de influência de sua região de origem, e aqui se
organizaram obedecendo a um padrão
religioso e cultural já preestabelecido nessas origens. O Omoloko fazia parte do que
se chamava, nos fins do século XIX e início do século XX, de Makumba, no Rio de Janeiro; segundo os estudiosos, também a
Makumba se originou de diversas procedências,
conforme a influência de suas regiões de origem na África; assim, existia a Makumba Mina, a Rebolo, a Cabinda,
a Congo, etc. O Omoloko organizou-se
majoritariamente na Zona da Mata em Minas Gerais, no estado do Rio de Janeiro,
no nordeste do estado de São Paulo e em parte do Espírito Santo; o nome é Yoruba
e existem várias opiniões a respeito de seu significado. Uns dizem que significa
"filhos do tempo", porque no início, devido à falta de recursos, seus adeptos
praticavam-no ao ar livre, ou debaixo das árvores, ou debaixo das árvores
chamadas Iroko. Outros atribuem à palavra sentido
mais literal e abrangente, como "filhos da fazenda", ou mesmo "filhos da roça",
designando os negros vindo do meio rural e que professavam tal religião, haja
vista serem muitas dessas organizações estabelecidas mesmo nas roças, ou em
áreas afastadas das cidades. O Omoloko praticado por nós
foi instituído por uma escrava, nascida na África, que no nosso meio ficou
conhecida como Maria Batayọ. História de Batayọ Maria Batayọ nasceu
por volta de 1.797 na África. Veio com vinte anos como escrava para o Brasil,
para trabalhar numa fazendo do estado do Rio de Janeiro. Foi embarcada no Forte
da Mina e tinha procedência Mina Je San, segundo uma das versões; outra versão conta que Batayọ era uma negra Bini,
que são os habitantes da região da cidade de Benin na Nigéria, povo que
reivindica para si descendência dos Yoruba de Ife. Seus contemporâneos de culto afro-brasileiro no Brasil
diziam dela que era Nago, quando queriam compará-la
com outros praticantes do Omoloko. Já veio feita da
África, era de Nanan e foi feita
por Sanguerabu, um africano que nunca pisou o solo
brasileiro e que era das terras de Egun (também conhecido como Popo ou Je), povo de língua da
família Ewe, nas cercanias de Porto Novo, na Baía de
Benin, no litoral do antigo Daomé, atual Benin. Seu nome, de fato, parece ter sido Tayọ.
Era chamada assim na fazenda em que trabalhou. "Ba" talvez tenha sido agregado
mais tarde, talvez nos meios religiosos afro-brasileiros que freqüentou, e
"Maria" foi o nome adotado em terras brasileiras. Batayọ era escrava
doméstica e trabalhava na cozinha; teve impaludismo (malária) e curou-se
tomando chá de fedegoso. Enquanto esteve doente e convalescendo, uma prima sua,
não escrava, muito boa cozinheira, foi ajudá-la nos serviços. Batayọ aprendeu muito com essa prima e se revelou com
ótimas qualidades, acabando por se transformar numa cozinheira tão boa quanto a
outra. A pedido da filha da fazendeira, Sinhazinha, Batayọ foi transferida para outros serviços
domésticos, dentro da casa grande. Nesse tempo, Sinhazinha namorava um rapaz de
uma fazenda vizinha e, passeando com ele a cavalo, caiu e machucou a cabeça.
Ficou muito mal e foi salva por Batayọ, mas
esteve pelo resto da vida sujeita a crises nervosas e, por isso, passou a ser
cuidada pessoalmente por Batayọ, a quem se
apegou ainda mais. Sinhazinha casou-se com esse namorado, do qual teve
alguns filhos, entre mulheres e homens. Um desses homens tornou-se major do
Exército, e mais tarde foi feito no santo por Batayọ,
na futura Roça dela, no morro de São Carlos, na cidade do Rio de Janeiro. O marido de Sinhazinha, um dia, castigou demais um
escravo, mandando chicoteá-lo no tronco até quase à morte. O negro sobreviveu e
depois de recuperado matou o fazendeiro a facadas. Sinhazinha, prejudicada pelo
seu estado nervoso, ao saber do ocorrido, teve um colapso e morreu. Só que,
antes disso, já havia alforriado Batayọ, como
recompensa pelo cuidado que sempre tivera com ela, e depois com seus filhos,
ajudando-a a criá-los; além disso, ainda lhe comprara o terreno do morro de São
Carlos, para que um dia Batayọ tivesse onde
morar, datando daí a posse desse terreno. Quando Sinhazinha morreu, por volta de 1.867, Batayọ tinha cerca de setenta anos. Muito velha para viver na fazenda, veio para a cidade e ocupou sua
terra no morro de São Carlos, fundando a Roça e iniciando sua vida de
mãe-de-santo. Batayọ casou-se no Brasil,
teve vários filhos naturais e fez vários filhos-de-santo em sua Roça. Apesar de
ter vindo feita da África, aprendeu com africanos ex-escravos
muito sobre os fundamentos das religiões africanas praticadas aqui no
Brasil naquela época, especialmente o Omoloko, tanto
durante o período em que viveu na fazenda quanto em seu primeiro ano na Roça do
morro de São Carlos. Batayọ teve vários
filhos-de-santo: Batayọ morreu aos 129
anos, por volta de 1926, na Roça do morro de São Carlos, onde, além de
ter sua Casa-de-Santo, também morava. Anunciou sua própria morte algum tempo
antes. Nove pessoas presenciaram sua passagem: Samuel, "Seu" Chaves, Ricardina, Henriqueta, Mistura, Tuti, Tẹko, Edgar Canivete e Fujẹko, que tinha então 13 anos de idade. Para este
último, ela disse que, quando ele tivesse entre 36 e 39 anos de idade, alguém, que não estava ali, iria cobrir sua casa de flores e pétalas no chão, para
receber o Santo dele, no momento em que ficasse pronto. De fato isso aconteceu, quando Lili, que não era filha de Batayọ,
nem de sua descendência nem ascendência e que sequer chegou a conhecer Batayọ, ficou encarregada disso na casa onde Fujẹko mais tarde residiria, depois de concluídas
suas obrigações com Roxinha e Henriqueta. Roxinha, sua filha natural e filha-de-santo, fez o aşeşe de Batayọ,
tirou a mão-de-vumi dos filhos de Batayọ
e deu saída ao ẹbọ de seus Santos. Depois disso, a Roça do morro de
São Carlos esteve fechada por seis meses, ficando Roxinha como sua sucessora. Vinte anos após morreu Roxinha, por volta de 1.946. Henriqueta ainda ficou na roça, mas os netos de Batayọ tomaram posse da propriedade e o Terreiro
acabou. Henriqueta fundou então um Terreiro em Bento
Ribeiro, na cidade do Rio de Janeiro, e morreu quatro anos após Roxinha, por
volta de 1.950. Os contemporâneos de Batayọ
e seus respectivos descendentes que praticavam o Omoloko
no Rio de Janeiro eram: 1.
Dona Jeje, de Şango, iyalorişa; viveu
perto de 100 anos. 2.
Chica Boi, de Iyasan e Oşoọsi, iyalorişa; viveu perto de 70 anos. Fez: Orlandino da Cobra Coral, de Oşoọsi,
babalorişa, que fez Orlando
do Pó, de Omolu, babalorişa,
Virgílio Cipozeiro, de Oşoọsi,
babalorişa, e Mistura, de Ogun,
alabe. 3.
Mosinha, de Ọşun, iyalorişa, viveu
perto de 100 anos; era filha-de-santo de Tia Chica de
Vavá, de Yemọja com Şango, que era negra nagô, viveu perto de 90 anos e
morreu em Abolição, Rio de Janeiro. Mosinha teve os
seguintes filhos-de-santo: Cai n'Água, de Oşoọsi
e Ọşun, babalorişa;
Ricardirna, de Oşala, iyalorişa, que fez Ana Cachorro, de Iyasan, runsol e Alexandre de
Ọbaluaiye, babalorişa;
Zé Spingéli, nome provável José Gomes da Costa, de Şango, babalorişa, que
fez Cecília, iyalorişa e Cacheado, de Iyasan, babalorişa, que fez Lili do Coqueiro, de Oşoọsi,
iyalorişa, que fez Lourdes, iyalorişa,
que abandonou o Omoloko e passou para o Candomblé
Angola, tornando-se filha de Néris. Antes, Lourdes
havia feito Ildérica, de Ọbaluaiye
e Yemọja, que no ínicio
da década de 1.970 tinha uma casa de Omoloko em
Sobradinho, cidade satélite de Brasília. 4.
Deawe, de Oşoọsi,
babalorişa, filho natural de Batayọ,
viveu perto de 100 anos. Fez Custódio Caravana, de Oşoọsi
Arranca Toco, babalorişa que viveu 72 anos. 5.
Sarah, viveu perto de 100 anos.
Fez os seguintes filhos-de-santo: "Seu" Chaves, de Ogun
Meje, babalorişa;
Samuel, de Şango, oşogun;
Mano Elói, nome provável Elói Antero Dias, de Şango,
babalorişa; Benedito Perna Seca ou Benedito
Espírito Mau, de Iyasan, babalorişa.
6.
Tião, de Şango,
viveu 60 anos. 7.
Dona Mariquinha, de Ọşun, iyalorişa. Fez: Tiana, de Ogun, iyalorişa; Porfírio, de Şango,
oşogun; Tia Cláudia, de Iyasan
Garuana, iyalorişa;
Maria Capoeira, de Oşoọsi e Iyasan; Guaraná, de Şango, babalorişa, que fez Dona Chica,
de Ọşun, iyalorişa,
que fez Tia Josefa, iyalorişa, que fez Maria
Augusta, de Omolu, iyalorişa,
que fez Sinhô, de Oşoọsi, babalorişa, e Djama de Alalu, de Oşoọsi e Iyasan, que abandonou o Omoloko,
passando para o Candomblé Ketu, filho de Fumotin, por quem acabou sendo feito para Eşu Lalu. 8.
Chica Velha (tronco vindo da
Zona da Mata de Minas Gerais, conhecida nessa época por "África Mineira"), iyalorişa, que fez Lili, de Şango e Ọşun, iyalorişa. 9.
Eleotério, viveu perto de 110
anos, de Omolu, babalorişa,
fez: Soféria do Soferão, de
Osanyin, iyalorişa,
que fez Sinhô de Sete Pedras, de Iroko, babalorişa. 10.
Chico Velho, de Oşumare,
babalorişa. Fez Neném do Bambual, de Ọşun, iyalorişa, que fez
Ercília de Arruda, de Ogun
e Ọşun, iyalorişa.
11.
Maria de Nanan Buruke, de Nanan, viveu 80 anos, iyalorişa, que fez "Seu" Domingos, de Şango, babalorişa; Militão, babalorişa, que fez
Paulo Demandista, de Oşoọsi, babalorişa. 12.
Tio Chico, de Ogun, babalorişa, irmão natural de Batayọ. 13.
Bakayọdẹ, morreu
com 105 anos; era babalorişa de Şango
e tinha um irmão-de-santo, La Grossa, de
Bẹsẹn, babalorişa. 14.
Inhá, de Iyasan,
iyalorişa, que fez: Ezinho,
de Ọşun, ogan;
Raul, de Oşoọsi, alabe;
Farrel, de Oşoọsi,
alabe; Geraldo, de Ogun, ogan; Cláudio, de Şango das
Almas, babalorişa. 15.
Tia Fé, nome provável Fé Benedita de Oliveira. Nota sobre a origem de Maria Batayọ Para tentar descobrir a origem de Batayọ,
ou Tayọ, partiremos do princípio muito provável que o
nome dessa yalorişa seja Yoruba
e que Sanguerabu seja um nome pertencente a uma
língua da família Ewe. Essa afirmação baseia-se
também na história contada acima e no fato óbvio de que Batayọ
teria que ter convivido com Sanguerabu. Os dados
conhecidos, aparentemente inconciliáveis, dão a ela diversas origens, ou seja, Nago, Mina Je San,
Bini e de procedência do Porto da Mina. Há ainda o
fato de ela ter nome Yoruba e ser filha-de-santo de
um babalorişa de origem Egun,
povo também conhecido como Popo ou Je. Pensamos que, sendo Batayọ Bini, ou descendente de Bini,
seria ela também Yoruba. Conforme já vimos, o povo Bini se considerava descendente dos Yoruba
de Ife, e muito provavelmente, então, ela teria
convivido com Sanguerabu, ou em terras Yoruba, ou em terras dos Egun (ou
Popo ou Je), ou em terras
de fronteira ou de vizinhança desses dois povos. No primeiro caso, sendo Bini, poderia ter nascido e se criado numa região de
fronteira, o que era uma possibilidade concreta, pois havia povos, entre eles
os Egun (ou Popo ou Je), todos de língua da família Ewe,
que ocupavam a região litorânea da Baía de Benin, indo desde o
Gana, no sentido oeste-leste, até Badagri,
onde se encontravam com os Bini, que habitavam a
parte litorânea dessa região e que vinham desde a Cidade de Benin, no sentido
oposto, leste-oeste. Já os Yoruba localizavam-se no
interior desse litoral. Sendo ela de descendência Bini,
teriam seus antepassados migrado para uma região que fizesse
fronteira com Egun (ou Popo
ou Je), mas que fossem terras Yoruba
e não terras Bini. Essa região poderia ser a antiga Província
de Colônia, que circundava Lagos, ou até mesmo essa cidade da Nigéria. Hipótese
também possível, visto que, nessa cidade, no século XV, foi estabelecida uma
dinastia Bini, tendo Lagos pago
tributos a Benin até 1830. Além disso, houve um intenso comércio de
negociantes escravagistas portugueses entre essas duas cidades. Maria Batayọ poderia ter
nascido também em um distrito chamado Egun-Awori, na
região de Badagri, no antigo Protetorado
Britânico, perto de Lagos, onde a população era constituída de pessoas de Egun e de Awori. Awori é um povo que se estabeleceu em Lagos na época da
dominação Bini sobre essa cidade; neste caso, por
exclusão, não sendo Awori, pois isto não foi
mencionado como sendo uma de suas origens, ela seria Je,
como conta sua história – Je (ou Egun
ou Popo), ou de origem Yoruba e
nascimento Je. Outra origem provavel seria
nas terras dos Anago, ou Nago,
região no interior do antigo Daomé, que fazia
fronteira com o reino de Ketu, com as terras dos Egbado e as dos Awori no interior
e com os Egun (ou Popo ou Je), no litoral. Ali existiam comunidades Egbado, de população majoritariamente constituída de uma
mistura de Anago (ou Nago),
e Egun (ou Popo ou Je), o que nos levaria a supor que ela poderia ser Anago (ou Nago). Essa hipótese
confirma mais uma vez sua condição Yoruba, sendo ou
não de descendência Bini, visto que, para os daomeanos, todos os Yoruba do Daomé eram considerados Nago (ou Anago). Existia também um povo denominado Ahori,
que talvez não tenha origem Yoruba
mas que adotou língua e cultura Yoruba e habitava
as terras dos Anago, já na fronteira com os Ketu. Esse povo se autodenominava Dje.
Os Egun (ou Popo ou Je) os conheciam, tanto que os chamavam de Holi. Os Ahori não habitavam
terras que fizessem fronteira com aquelas ocupadas pelos Egun (Popo ou Je), mas poderiam se
relacionar com eles. Isso é possível pelo fato de que tanto os Egun (ou Popo ou Je) das comunidades Egbado quanto
os Ahori (ou Holi ou Dje) habitarem as terras dos Nago
(ou Anago). Se Batayọ
tivesse nascido aí, seria uma Dje, mas talvez fosse
considerada também Yoruba pelos Egun
(Popo ou Je), pelo fato de
ser Bini. Nesse caso também seria considerada Nago (ou Anago) por eles, por ser
Yoruba do Daomé. Assim Batayọ tanto seria Dje, Je, Nago, Yoruba descendente de Bini ou Bini. No Rio de Janeiro, no século XIX, período em que Batayọ chegou ao Brasil, os Yoruba
que desembarcavam na cidade procedendo de qualquer região da África ou do
Brasil eram chamados de Nago. Analisando por esse
ângulo, Batayọ poderia ser considerada Nago pelos seus contemporâneos no Brasil por ser mesmo Nago, sendo Yoruba do Daomé, ou por ser realmente Yoruba
de outra região africana. O fato de também ser considerada Mina pode ser
explicado por ela ter embarcado para o Brasil no Forte da Mina, que fica na
região conhecida igualmente como Costa da Mina, que abrange o Forte de São
Jorge da Mina, em Gana, e a Baía de Benin. Nesse caso ela seria conhecida como Mina-Nago, como eram denominados os Yoruba
embarcados na Costa da Mina levados para o Rio de Janeiro no século XIX. Porém Batayọ era Mina Je San. Ela poderia ser Je (Popo ou Egun),
conforme já vimos. Além disso, Dewae, um de seus
filhos naturais, tem nome de origem provável Je. Ora,
já sabemos por que ela poderia ser Mina. Mas para ser Je,
aparentemente não poderia ser Yoruba, mas seu nome é Yoruba. Poderia ainda ser considerada Yoruba
mesmo se tivesse nascido em terras Je, caso fosse
descendente de Bini, de acordo com o já visto. Nesse
caso ela poderia ser tida como Nago no Brasil, sem
nenhuma contradição em ser Mina Je. O que concluímos é que não podemos ainda precisar o
local exato do nascimento de Maria Batayọ, talvez porque falte desvendar o que seja San na palavra Jesan ou na frase Je San. Talvez, mesmo se descobrirmos, não possamos decifrar a
questão. No entanto, se não apresentamos nenhuma novidade para muitos leitores,
pelo menos afirmamos alguns pontos que consideramos como certos: Batayọ
ou era das terras dos Nago do antigo Daomé, atual Benin, ou era da região de Lagos/Badagri na Nigéria –
e, com certeza, era Yoruba no sentido mais amplo da
palavra. História de Fujẹko Fujẹko, Gérson Gentil
de Azevedo, nasceu na casa de número 12 na rua Cândido Benício,
que sai do Largo do Campinho e vai para Jacarepaguá, em Cascadura,
Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 1.913. Eram duas casas, a
de número 10 e a 12, que ficavam ao lado de um posto de saúde, e talvez
já não existam. Era filho de Gelásio Gentil de
Azevedo, baiano, e Graziella Bayão de Azevedo,
sergipana, que faleceu quando Fujẹko contava
com seis anos de idade. Teve os seguintes irmãos: José Salvador Bayão de Azevedo, o Zequinha, ou Bayão;
Moacir Bayão de Azevedo; Lourdes Bayão
de Azevedo; Haydê Bayão de
Azevedo, que morreu intoxicada aos quatro anos de idade; Zuleika
Bayão de Azevedo e Jair Bayão
de Azevedo, gêmeos, sendo que Jair morreu com cerca de quatro meses de idade. Segundo o próprio Fujẹko,
desde muito cedo, aos sete anos, ele bolou para o Santo; então, Dona Lúcia
[vizinha de sua família ao tempo em que Fujẹko
era criança, no Largo do Campinho, antigo beco Maria José], mãe de quatro
filhos [Lara, Pedro, Jovem (mulher) e Anenor], amiga
da família em decorrência de vizinhança, levou Fujẹko
para o Terreiro de Tio Abẹdẹ. Fujẹko, porém, ali não
ficou muito tempo, indo para a Casa de Tia Chica de Vavá, de onde saiu para a casa de Batayọ,
aí ficando até depois da morte dela, lá permanecendo com Roxinha e Henriqueta. Batayọ iniciou Fujẹko, seu trigésimo-sexto
e último filho-de-santo. O major, filho da Sinhazinha, foi quem custeou a
obrigação dele. Sua mãe-criadeira foi Maria de Lembra
Tudo. Roxinha e Henriqueta fizeram as obrigações
posteriores e Henriqueta lhe deu o dẹka – e quem
recebeu o seu Santo com flores, na casa onde então morava, foi Lili, isso entre os 36 e 39 anos de Fujẹko,
entre 1949 e 1952, ou seja, quando Roxinha já tinha falecido, e como
predissera Batayọ. Bakayọdẹ, de Şango, irmão-de-santo de Batayọ,
foi quem deu e ensinou o jogo de búzios para Fujẹko.
Após aprender e receber o jogo, a primeira pessoa para quem Fujẹko
jogou foi o próprio Bakayọdẹ. Nesse
jogo ele viu a morte de Bakayọdẹ. Fujẹko, antes de ter
Casa, ficou no Terreiro de Ercília, de Caboclo
Arruda, de Ogun e Ọşun,
iyalorişa, durante 10 anos, provavelmete
desde 1944, dois anos antes da morte de Roxinha e seis antes da morte de Henriqueta, até 1954. Embora tenha sido feito em casa de Batayọ,
disse que aprendeu muito do que sabia com Custódio Caravana, de Oşoọsi, babalorişa,
filho de Deawe, filho natural de Batayọ.
Fujẹko fundou sua
Casa-de-Santo, denominada Tenda Espírita dos Humildes, em 4 de dezembro de
1954, no Beco Rita Vieira, hoje Rua Rita Vieira, número 40, em Madureira, Rio
de Janeiro, então Distrito Federal. Fujẹko teve muitos
filhos-de-santo; entre os que receberam o dẹka,
estão: Noêmia de Marabo, de
Yemọja com Oşoọsi, com Terreiro em Itapocu, Vitória, Espírito Santo; Tereza,
de Iyansan e Şango, com
Terreiro no estado do Rio; Mozart, de Şango e Ọşun; Fátima, de Oşalufan; Regina
Lúcia Ruiz de Gamboa, de Ọşun; Palu,
de Obaluaiye; Maria Antônia de Jesus Melo, de Ọbaluaiye; Maria Luiza; Jandira, de Oşoọsi;
Mitze; Eiya, de Omolu; Ângela; Ruth de Souza Castro, de Obaluaiye e Ọşun. Entre outros
seus filhos feitos estão Pedro, de Şango, pejigan; Ari Barreto
de Oşoọsi, ogan;
Odete, de Şango, jibonan;
Eurico Jacy Auler, de Şango Agodo, oşogun;
as mães-pequenas Hilda, de Ogun; Corina, de Şango; Ida, de Omolu; Yeda; Bichinha; e Angra, de Omolu
e Iyansan; Maria Alice, iyabase;
além de Jorge (Dedei), de Obaluaiye, filho natural de
Hilda de Ogun; Gamboa, de Oşoọsi, marido de Regina Lúcia; Afonso e sua esposa Dina; Jeová; Iara; e o marido de Maria Alice e Carmem. Fujẹko casou-se com
Ilka Machado de Azevedo, nascida em 26 de junho de 1914, em 20 de maio de
1935; não teve filhos naturais e morreu em 1º de junho de 1977. Depois de sua morte, seu irmão Zequinha, de
Ọşun, feito por Regina Lúcia, vendeu a
propriedade e o Terreiro acabou. Hoje, permenece
fechado e vazio, parece que sem qualquer uso ou destino. História de Maria Antônia Maria Antônia de Jesus Melo nasceu em Fortaleza, Ceará,
filha de Maria Marques de Oliveira Melo, nascida em Jardim, Ceará, e Jairo
Bandeira de Melo, do Rio Grande do Norte. Era católica e de família católica. Quando nasceu tinha um irmão já adulto, por
parte de pai. Teve mais quatro irmãos por parte de pai
e mãe - três homens, que morreram crianças, e uma irmã. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 16 anos com a família, em 1948, para a rua Coração de Maria, no Méier. Casou-se
em 1950, com João de Oliveira, só no religioso, visto ser ele separado
da mulher, e foi morar na rua Sabino Ribeiro, em Irajá. Teve duas filhas naturais – Cleane de Oliveira e Márcia Cristina de
Oliveira. Maria Antônia começou a ficar doente logo depois do casamento. Por
causa disso, foi aconselhada por D. Raimunda, médium atuante de um centro
espírita kardecista e mãe do chefe desse centro,
Rodrigues, a
consultar-se espiritualmente ali. Depois disso, começou a freqüentar o local,
chamado Centro Espírita Bezerra de Menezes, em Cascadura.
Porém, continuava sempre doente, e, aconselhada por uma entidade do Centro, que
lhe recomendara um Centro que não fosse de mesa, mas que fosse de chão – um
Terreiro–, foi à procura de um. Por
sugestão de um colega de trabalho (o marido de dona Mariquinha, zeladora do Terreiro de "Seu" Pena Azul, em Osvaldo Cruz) de seu marido, começou a freqüentar esse Terreiro, onde começou a ter
as incorporações da Preta-Velha Tia Maria da Bahia,
do Caboclo
Aracati e de Ogun Beira Mar. Mas, mesmo assim, continuava
bem doente e emagrecendo. Depois de algum tempo, foi aconselhada por um guia
incorporado do Terreiro a procurar um Terreiro de Nação. Por isso,
aconselhada por uma sua conhecida da época, foi ao endereço, que era numa rua
de Madudeira, procurar o tal Terreiro de Nação.
Estava procurando o endereço, quando uma mulher a quem pediu informação lhe
disse que aquele ela não conhecia, mas que conhecia um muito bom ali perto, e
que ela estava indo lá, para falar com o pai-de-santo, Fujẹko;
desse modo, ela dirigiu-se com a mulher à Tenda Espírita dos Humildes, Terreiro
de Aşẹ Omoloko, localizado à rua Rita
Vieira, 40, cujo babalorişa era Gerson Gentil de
Azevedo, o Fujẹko, o qual, depois de atender à
mulher e à filha dela, fez um jogo para Maria Antônia, orientando-a no que
deveria ser feito diante dos problemas de saúde que ela estava enfrentando. Isso já era outubro de 1966, ou dezesseis anos desde que ficara doente e começara a procurar uma solução para seus problemas. Foi logo recolhida e logo feito um bori,
depois do que já começou a melhorar de suas doenças. Iniciou-se assim sua vida
religiosa naquele Terreiro. Suas filhas naturais receberam também um bori na casa de Fujẹko.
Depois de sete anos, em 1973, recebeu o dẹka e
o levou, bem como os seus asentọ para sua casa, nessa
época já na Estrada Intendente Magalhães em Vila Valqueire, onde reside até hoje. Sua mãe-pequena de feitura foi Hilda, de Ogun. Em
1983, seis anos depois da morte de Fujẹko, Mãe
Maria Antônia fundou seu Terreiro, Ile Aşẹ
Ọbaluaiye, nos fundos de sua residência. Desde
então tem como filhos com dẹka Paulo de Oşala, com Casa em Icaraí, Niterói, e Isa de Yemọja, com Casa
em Ricardo de Alburquerque, Rio de Janeiro. Em
junho de 1999, fez os asentọ do Ileko, Casa de Omoloko, em
Brasília, e em novembro fez Cora, de Ogun, Lígia, de Ọbaluaiye, Leni, de Yemọja e Simone,
de Iyansan, tendo como mãe-pequena sua filha
natural Márcia, feita no Ketu. Brasília (DF), abril de 2003 Fontes Consultadas: 01 – História de Batayọ contada por Fujẹko, na Tenda Espírita dos Humildes, em 15 de fervereiro de 1974. 02 – História de Fujẹko
contada pelo próprio, na Tenda Espírita dos Humildes, em 17 de janeiro de 1970. 03 – História de Maria Antônia contada pela
própria e por sua filha Márcia em abril de 2003. 04 – Fala, Mangueira!,
Marília T. Barboza da Silva, Carlos Cachaça e Arthur L. de Oliveira Filho, Ed.
José Olympio, 1980. 05 – A Linguagem Correta dos Orişa, Benjy Ainde Kayode
Durojayle Komolafe, Ornato
José da Silva, Rio de Janeiro, 1978. 06 – The
Yoruba-Speaking Peoples of South-Western Nigéria, Daryll Forde, Ethnographic Survey
of África, International African Institute, London,
1969. 07 – The
Yoruba-Speaking Peoples of the 08 – A Vida dos Escravos no Rio de Janeiro – 1808 a 1850, Mary C. Karasch, Companhia das Letras. 09 – História da Bahia, Luís Henrique Dias Tavares, UFBA. |
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